quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Uma questão de escala

O olhar. Um olhar. Olhares....

Goya, pintor espanhol dos séculos XVIII e XIX conseguiu enxergar nuances de uma tela ainda não executada que até os dias de hoje causam impressão súbita de espasmo. A variedade sobre a vida repousa nas diferenças, isto porque cada um impinge com suas retinas os matizes de um mundo ou multicolorido ou furta-cor.

Ao abrirmos os jornais hoje damos conta de um mundo em caos, e está mesmo, a questão é: porque e por quanto tempo? Além disso, pairam outras questões como se o caos fosse o horizonte a ser visto, o que ele esconde ou que subjaz em suas entranhas. O caos possui razão em si mesmo ou ele é o agente de transformação? É possível o nascimento de algo novo seu o componente de mutação? O caos não se trata de um aspecto da dualidade, afinal, no seio de um processo não existe outro em seu bojo? 

O que os jornais, mídia coorporativa de modo geral relatam soam como catastróficos em pleno século XXI: o ressurgimento de movimentos fascistas; o recrudescimento das democracias alhures; o aumento da concentração de renda planetária; a péssima distribuição de renda; o aumento da pobreza; a explosão da violência; aumento da poluição e devastação das florestas, serrados; a extinção de animais; a truculência de aparelhos repressores do estado; a inserção de golpes em democracias neófitas; ameaça de terceira guerra mundial; a explosão de ódio e raiva revertido em ações como a assunção da extrema direita; atentados terroristas; o controle da indústria farmo-quimica sobre a promoção e divulgação de resultados no combate às doenças; guerras localizadas gerando deslocamentos populacionais gigantescos com problemas como o da imigração, refugiados, dentre tantas outras coisas que a princípio, a primeira reação é de desânimo, de constatação de que a humanidade enquanto experiencia civilizacional fracassou. Correto? Errado.

Esses elementos, embora não sejam novos, são decorrentes de um longo processo de embates que a terra passa há milhares de anos, mas que recentemente se acirram pela luta em prol da libertação do planeta, cujas extensões estão cada vez mais evidentes. O que estes fatores acima indicam não é o fracasso da humanidade, e sim, uma disputa ferrenha entre grupos que sempre a controlaram, na verdade, nem sempre, e um número crescente de pessoas que passam a tomar conhecimento do que se esconde por detrás das lógicas de dominação e manipulação da informação. Além disso, a disputa entre "bem" e "mal" é maniqueísta, simplista, afinal, o processo dialético da superação envolve a simbiose entre as luzes e a suposta "trevas". Trevas não passam de ignorância, ou seja, desconhecimento. Só existe Luz.   

A mesma mídia que tem pressa em noticiar e alardear grandes catástrofes, crises, tensões e disputas sociais é pífia, risível quando se trata de divulgar ações como: a plantação de 1 bilhão de árvores pelo Paquistão em 2017, antecipando a meta em 04 meses; o fato de El Salvador ter proibido a extração de  metais de seu solo; Costa Rica recuperou sua floresta nativa; a mata Atlântica brasileira dando sinais de recuperação; avanços no campo cientifico aliando pesquisas neurológicas e espirituais, energéticas (imposição de mãos, aura, desdobramento astral, reiki); aumento do número de pessoas que se recusam a usar agrotóxicos; aumento do veganismo; vegetarianismo; de comunidades que aboliram o uso de dinheiro; aumento do voluntarismo; aumento da crítica ao consumismo; denúncia contra a manipulação da indústria farmacêutica; a ampliação da informação e da divulgação de informações importantes; aumento considerável de um contingente global contestando a ordem vigente e despertando para processos existenciais para além do materialismo; o anúncio eminente de um reset financeiro global, dentre tantas outras coisas. Como se vê: tudo é uma questão de perspectiva e de escala, de onde pretende-se olhar, o que consideramos importante e o direcionamento de determinadas informações.

É claro que o aumento do caos é real, no entanto, a forma como se aborda tal questão, o que se esconde e, sobretudo, os processos de mudanças oriundos do caos não são objetos de interesses dos controladores da informação. Mais uma vez, tudo é uma questão de perspectiva e de escala.

Uma das questões que não são anunciadas são as transformações astronômicas porque passa a terra, tais como: as atividades solares, a mudança de rotação do eixo terrestre, a entrada do planeta no centurião de fótons de Alcione, a aproximação com a andrômeda, a chegada do planeta Hercólubus e como essas questões afetam profundamente o estado de consciência coletiva global. Sim, pois que até mesmo a relação entre o cosmos e o estado de equilíbrio humano nos foi suprimido e até mesmo negado, legando-se à noção de cissiparidade, divisão, desarticulação entre tudo, como se nada tivesse interligação, como se não existisse o UM.

Como muitas dessas questões nos foram obliteradas, negadas, suprimidas por sistemas religiosos castradores, por uma cultura competitiva e predatória, por uma educação limitante, por um sistema econômico que nos transformou em coisas, objetos de sua sanha acumuladora, a existência terrana se tornou por deveras difícil, quase insuportável. Digo quase porque se fosse insuportável a lógica da vida e, por conseguinte do amor não fariam o menor sentido, além de colocar em suspeição o plano divino da aprendizagem, da capacidade que nós temos de escolher as circunstâncias, lugares, pessoas e situações para o aquinhoamento da compreensão sobre a existência, daquilo que precisamos para o nosso aperfeiçoamento, melhoria, avanço, sabedoria e ajuda mútua. Mais uma vez o que está em questão é a perspectiva, a escala e a forma como escolhemos o que é viver para cada um a partir do princípio do livre-arbítrio.

Para os que acreditam que a vida não se encerra no plano da matéria, que existe vida pós-morte, que o cosmos possui um sentido, que o amor é a força mais esplêndida que existe e que por ele tudo foi feito e retorna, fazendo da terra um lugar de aprendizagem, embora um dos mais difíceis de todo o cosmo, enxergar a existência terrestre, até então imersa na densidade da tridimensionalidade como uma experiência insuportável, ou quase, é também uma questão de escala.

Por tridimensionalidade ou 3ª dimensão entende-se o jogo da divisão, da separação de tudo como se nada fizesse sentido, um lugar e ao mesmo tempo uma condição em que fonte e criatura seriam unidades distintas e não interligadas, bem como tudo o que existe, a percepção de que não somos merecedores de nada, não somos bons, somos maus, vis, a vida se encerra no plano material, as únicas coisas que fazem sentido são aquelas que podem ser provadas pelos cinco sentidos, só existe vida inteligente na terra, o presente repete o passado, não há nada de novo, tudo já está estabelecido, a ética é uma dimensão distinta da compaixão, do amor, da justiça, a vida foi benéfica e voluntariosa para uns, injusta para outros; enfim, um complexo relacional que nos trouxe até aqui, quer dizer, exatamente onde nos encontramos: a sensação de que a experiência humana fracassou.

Há além disso a sensação de que todo esse fardo foi é pesado demais para ser suportado, qual seja: o de viver na terra. Outro equívoco. Milhares de seres de várias orbes, lugares do cosmo gostariam de experienciar a existência terrana exatamente por saberem do seu grau de dificuldade, bem como dos benefícios que tais dificuldades lhes proporcionariam, a saber, um acúmulo existencial sem precedentes exatamente pelo véu da separação, a ilusão de maya, a densidade da matéria, a benção do esquecimento, o invólucro da matrix, que no plano da consciência e dos cinco sentidos nos impede de enxergarmos quem realmente somos: divinos, perfeitos, como aliás, tudo o que o criador fez e faz.

É exatamente pela existência deste véu que somos levados pelo ego a cognominar o criador e o plano de divino de injustos, afinal, qual é o sentido em viver num mundo caótico como esse? Qual é o sentido da vida? O esquecimento retroalimentado pelo ego chora a vida inteira pela dor do parto, pela perda da proteção e segurança do útero materno. Somos sabotados por nós mesmos e levados a desconsiderar a profunda existência encoberta pela consciência e pelo uso fragmentado entre mente e coração, guiando-nos inclusive a recalcitrar à justiça do universo, afinal, a vida na terra sempre foi penosa. Outro equívoco.

A vida na terra só adentrou na tridimensionalidade há 26.000 anos atrás após as quedas de Atlântida e Lemúria. Antes disso, vivíamos na 5ª dimensão, logo, em circunstâncias muito melhores que as de hoje. Sendo assim, o período de existência na tridimensionalidade, colocado em uma escala comparada com bilhões de anos, muitos inclusive antes mesmo da existência física da terra, se torna algo não irrelevante e muito menos trivial, muito pelo contrário, foram difíceis e quase insuportáveis, mas não fazem do cosmo uma consciência injusta. Quer dizer, além de termos escolhido vivermos na tridimensionalidade para o nosso aperfeiçoamento, o período vivido como dévicos, anjos, seres celestiais é muito superior se comparado ao do afastamento na densidade da ilusão da separação. Aliás, o criador só consentiu que vivêssemos na tridimensionalidade, primeiro pelo nosso próprio livre-arbítrio, segundo, por saber que o acúmulo vivencial de bilhões de anos como dévicos era suficiente enquanto suporte para a experiencia densa, trágica, pesada, penosa e custosa do caos. Numa escala proporcional se compararmos bilhões de anos na 5ª dimensão e alhures com 26.000 anos de tridimensionalidade, veremos que o instante errático da terra em sua imersão da noite escura, apesar de dolorosa, é apenas um ponto na imersão do cosmos infinito. E tal experiência na tridimensionalidade está definitivamente se encerrando. A terra está nesse exato momento no corredor do parto, pronta para renascer na sua condição de origem, abandonando um período de 26.000 anos de trevas. 

Quando chegarmos a essa condição vamos nos lembrar dos tempos difíceis como aprendizagem, oportunidade e gratidão. Mas tudo é uma questão de escala e perspectiva.                                                                     

   

2 comentários:

  1. Não é a melhor das referências, mas lembrei do diálogo entre dois personagens de uma série que acompanho. É algo como:
    _"(...) Uma história que concordamos em contar repetidas vezes,até esquecermos que é uma mentira"
    _Mas o que nos resta quando abandonamos a mentira?Caos.Um precipício esperando para engolir todos nós.
    _Caos não é um precipício.Caos é uma escada"
    _

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